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Natureza e saúde mental: qual a relação?


Foto: Jill Wellington/Pexels

A relação entre natureza e saúde mental tem ganhado cada vez mais destaque entre a comunidade científica. E não é para menos: diversos estudos já mostraram que a exposição à natureza pode trazer benefícios enormes para as pessoas, principalmente aquelas que vivem em grandes centros urbanos.

Além disso, passar um tempo em espaços verdes ou incorporar ao seu dia a dia o contato com plantas, flores e árvores é uma maneira simples de relaxar e ter uma folga da correria cotidiana.

A solução para os transtornos mentais pode estar na natureza - Os transtornos mentais estão entre as principais causas de incapacidade e afastamento das atividades laborais em todo o mundo. Mas a solução para o problema parece estar muito mais perto do que se imagina.

Então, como o meio ambiente pode afetar corpos e mentes? Um estudo publicado na revista Nature em 2019 revela que somente duas horas por semana de contato com a natureza podem promover um significativo aumento na sensação de bem-estar, melhorar o humor e aliviar os sintomas de depressão, ansiedade e estresse.

Por isso, a implantação de espaços verdes urbanos é cada vez mais importante. Mais da metade da população global vive em áreas urbanas e, em países como a Espanha, esse número chega a impressionantes 80% da população.

Infelizmente, essas áreas urbanas costumam oferecer ambientes predominantemente construídos, nos quais a exposição à natureza é escassa.

Além da poluição visual que os urbanos oferecem, a má qualidade do ar e os ruídos frequentes, oriundos do tráfego de veículos e da movimentação do comércio, por exemplo, são estressores ambientais que podem prejudicar muito a saúde mental das pessoas.

Segundo uma pesquisa da organização ISGlobal, existe uma associação protetora entre a quantidade e o acesso a espaços verdes e ansiedade e depressão. Observou-se que essa associação pode ser explicada, em parte, pela redução da exposição à poluição do ar e ao ruído e, em menor proporção, pelo aumento da atividade física e do suporte social. Até mesmo o simples acesso visual a elementos da natureza pode beneficiar o bem-estar mental.

Os benefícios da natureza para a saúde mental

  • A influência da natureza ajuda a recuperar o cérebro da fadiga causada pelas atividades cotidianas, melhorando o desempenho no trabalho e nos estudos e a satisfação pessoal;
  • Quando incorporada ao design de prédios, a natureza propicia calma, inspira ambientes e estimula o aprendizado e a curiosidade;
  • Espaços verdes são ideais para atividades físicas, que melhoram o aprendizado, a memória e as funções cognitivas;
  • Atividades ao ar livre podem aliviar sintomas de Alzheimer, demência, estresse e depressão;
  • O contato com a natureza ajuda no desenvolvimento das crianças, encorajando a imaginação, a criatividade e a interação social;
  • A exposição a ambientes naturais diminui sintomas de DDA (Distúrbio de Déficit de Atenção) em crianças, podendo diminuir, também, o uso de remédios.

Hiperestimulação urbana

Na cidade, nosso cérebro é constantemente estimulado. Trânsito, faróis, pedestres, vendedores, tudo isso “gritando” para nosso cérebro, em uma competição pela atenção.

Em pouco tempo, ele já está cansado e pode começar a apresentar perda de memória. Um pequeno vislumbre de verde já causa alívio cerebral, dando uma pausa para o cérebro de toda a loucura das grandes cidades.

Para crianças, brincar ao ar livre, além de estimular a imaginação e criatividade, dá a sensação de liberdade, livrando seus cérebros, momentaneamente, dos constantes estímulos da cidade.

O mesmo acontece para pessoas com DDA, que, em um ambiente mais natural e aberto, sentem menos pressão e estímulos.

Em pacientes com Alzheimer, lugares abertos e com diversidade de plantas, cores, cheiros e disposição, causam situações positivas. O mesmo vale para pacientes com demência e depressão, proporcionando uma distração tranquila.

Nesse contexto, vale mencionar uma atividade importante intitulada “banho de floresta“, que consiste em ir para uma área florestal e passar um tempo em contato direto com a natureza. Uma pesquisa feita pela Universidade de Chiba, no Japão, confirmou a eficácia dessa prática para a saúde mental e bem-estar do ser humano. Segundo os pesquisadores, o banho de floresta reduz a concentração de cortisol, a pressão sanguínea e a atividade do sistema nervoso.

Fonte: eCycle